CRIATIVIDADE na JELB



"Criatividade é..."
"Nem sempre me sinto criativa..."
"Para melhorar meu desempenho criativo eu procuro fazer..."


Cada palestra e oficina de criatividade é especial principalmente pela troca de experiências com as pessoas que encontro: professores, alunos, colegas de profissão ou não, gente de diversas crenças, diferentes visões de mundo, diferentes objetivos de vida.


Mas enquanto me preparo para o Encontro Nacional de Líderes (ENL) da JELB (Juventude Luterana), me deparo com um sentimento diferente. Aqui o especial não é apenas o diverso, mas também o que nos une, afinal, compartilhamos a mesma fé.


Em cada palestra eu procuro conhecer um pouco o grupo para o qual vou falar com uma rápida pesquisa online (3 a 5 perguntas) cujo objetivo é compreender como o conceito de criatividade de cada um se liga com a prática da criatividade.


E é quando falamos de criatividade que as lideranças da JELB são como qualquer outro grupo, com conceitos, mitos e dificuldades bem similares. É por isso que tanto a palestra como a oficina no ENL serão cafeina pura... preparem suas canecas!






A cidade, a greve do transporte público e o Marcelo Pomar.

Passada a greve no transporte público aqui em Florianópolis, vejo hoje (01/06/2012) uma notícia no Diário Catarinense (DC) sobre o projeto de licitação que poderá ser homologado semana que vem, que já começa mal, veja a contradição: os 70 dias que o auditor-fiscal tinha se transformaram em um ano; a concessão valerá pelos próximos 20 anos.


O secretário de transportes argumenta que a demora de três anos se dá por conta da complexidade do trabalho. É verdade que se trata de uma avaliação de alta complexidade por conta das variáveis que mudam muito a cada ano, ainda mais em Florianópolis com sua grande taxa de crescimento urbano... como podem então engessar por vinte anos a concessão?


Vale conferir no DC a opinião de mentes pensantes da cidade como a professora da UFSC, Alina Gonçalves Santiago (não apenas competente mas uma pessoa muito acessível). E aproveitem para ver o primeiro vídeo do TEDxFloripa lançado recentemente: são pensamento e soluções criativas sobre uma outra visão para o transporte público... e nem todos precisam concordar. Mas discorde depois de ver. 


O Marcelo Pomar não faz a pergunta a seguir mas deixa ideias que nos provocam a responder se queremos o bem da cidade onde vivemos ou estamos aqui "sugando" trabalho, dinheiro, sobrevivendo a qualquer o custo para a cidade.


"A ponte, as ilhas"

Assim que batemos o martelo e publicamos a chamada do TEDxFloripa  no twitter, há duas semanas atrás, uma reação me chamou a atenção: por que ponte no singular? - alguém perguntou.


Atravessar o mar com balsas lentas, sem qualquer proteção do sol e da chuva, era uma tortura e afligia muita gente. Florianópolis perderia o posto de Capital do Estado caso não resolvesse o problema de conexão entre o continente e a ilha. Isso teria significado a perda de poder político, de investimentos e, provavelmente, até mesmo visibilidade. Quanto desenvolvimento essa nova ligação trouxe para a cidade?


Estávamos discutindo a inclusão de duas características locais marcantes: a maior ponte pênsil do Brasil (também símbolo da capital Catarinense) e sua ilha. "A ponte, as ilhas" basicamente saiu de uma unica cabeça genial que viu na ideia um trocadilho com "apontar para as ilhas". Mas me parece claro que o significado pode ser ainda mais rico.


O que acontece aqui de uma forma física, com uma grande estrutura metálica intensificando o fluxo entre porções de terra, pode também acontecer em outros níveis e certamente reflete situações que podem ser vistas em qualquer canto no mundo. Muitas ideias podem estar isoladas, muito conhecimento cercado de papel por todos os lados, muita ação e muitas vidas separadas por "grandes porções de água"... e um evento como o TEDx pode ser o que falta - uma conexão, um ponto de partida.


Uma ponte pode fazer uma grande diferença.

Paz, mesmo após a guerra, pode matar!

Ele nasceu em 29 de dezembro de 1903. Estaria completando 107 anos hoje. Portinari é certamente o pintor brasileiro com maior projeção internacional.

Interessante pensar na história desse grande arteiro - minha vó me chamava de arteiro toda vez que eu era flagrado desobedecendo algum adulto.

Desobedecendo ordens médicas, Portinari faleceu em 1962 por envenenamento progressivo com chumbo, presente na tinta a óleo, durante a produção de "Guerra e Paz" - exposto no Brasil novamente após mais de 50 anos.

A obra volta para a sede da ONU em Nova York, onde estavam desde 1957, em 2013.
Como coloca o pequeno documentário abaixo, não apenas pelos 140m², mas pelo grande impacto e valor crítico, vale conhecer a obra:





Plenário Ordem do Dia

"Senadoras e Senadoras que aprovarem permaneçam como se encontram... aprovado."

CAU, Conselho de Arquitetura e Urbanismo, aprovado no Senado... para o bem, para o mal, ou para o quase igual... quem sabe dizer? Eu me arrisco a ficar moderada e temporariamente contente.

Um papelão no natal!

Ainda na onda Wabi estava navegando por aí e encontrei esta árvore de natal de papelão:



Essas árvores de natal tem 90cm de altura e podem ser decoradas de diversas formas diferentes.


E que tal este "faça-você-mesmo" de uma árvore em espiral feita com 200 pedaços de papelão?

Making of our Cardboard Christmas Tree from RecycleNow on Vimeo.



E se você já montou sua árvore, então guarde a ideia e deixe o papelão para o ano que vem.



Wabi

"Pergunte à construtora que tipo de casas vão ser erguidas  no campo condenado e você receberá um folheto do departamento de marketing, em papel lustroso, mostrando cinco modelos diferentes de moradia (...)"

Em contraposição ao post sobre o Alain De Botton da semana retrasada, falando sobre a arquitetura e a felicidade, trago hoje mais... Alain De Botton em duas citações, logo acima, e esta agora, abaixo:

"Se depois de passar os olhos pelo elegante material promocional, ainda nos sentíssemos inclinados a questionar a aparência destas construções, é quase certo que o responsável pelo empreendimento responderia com um argumento conhecido e aparentemente invencível: essas casas sempre venderam rápido e bem. (...) ignorar a lógica comercial e tentar negar aos outros o direito democrático ao próprio gosto, o que por fim nos colocaria em conflito com dois dos grandes conceitos autoritários da nossa civilização: dinheiro e liberdade."

Em contraposição a isso, o autor menciona a cultura japonesa em que domina a irregularidade e não a simetria, e onde o impermanente e o simples são belos, ao contrário da cultura ocidental onde dominam o eterno e o enfeitado.

Diversas vezes comentei com amigos e também com colegas arquitetos sobre essa nossa ideia em que a arquitetura não parece ser perecível. Aceitamos muita coisa como transitórias, mas parece que nos apegamos à arquitetura como se, esta sim, fosse permanecer e contar a nossa história como contou e conta outras histórias de outros tempos.

O japoneses chamam a beleza da transitoriedade, segundo Botton, de Wabi.
... e começo a me sentir sentado em uma cadeira de folhas e cascas secas, pensando:

Que liberdade de escolha é essa quando nossas opções estão sempre desenhadas em um papel lustroso que vende uma ideia eterna de morar?

Tranquilo com a vida

É de se pensar que toda pessoa tenha um "plano B" (C, D, E...) caso o seu "plano A" não funcione. 


Oscar Niemeyer
que completa hoje 103 anos
me parece, pretende ser compositor 
caso sua carreira 
de arquiteto mundialmente famoso não decole.


"Tranquilo com a vida" 
(clique para baixar e ouvir)


Já era de se esperar que algum de seus textos, algum dia, virasse música.


Nestes tempos em que as palavras do Coelho Netto (José Teixeira) continuam ecoando - "Os arquitetos não falam mais: apenas balbuciam palavras sem sentido" -, Oscar Niemeyer, sempre soube remar contra essa maré. Particularmente considero seus textos, em geral, tão ou mais belos que sua arquitetura (ainda questionada por muitos corajosos ou insanos).


É uma pena que ele seja pouco lido e, mesmo nas faculdades de arquitetura, seus textos, "arqui-textos", pouco estudados... e até mesmo pouco conhecidos.


É um risco dizer que seus pensamentos sejam "arqui-textos", pois isso parece reducionista demais.


Ler Niemeyer é interessante não apenas para arquitetos que querem ampliar sua visão sobre o mestre e sua obra de uma forma acadêmica, mas pode ser enriquecedor para qualquer pessoa que queira dar outra dimensão para a sua visão de mundo: ela adora falar sobre arquitetura, mas os problemas da humanidade e a situação do outro (do que sofre com as desigualdades) o interessam mais.


E esse é um prisma que, infelizmente, é mais complicado (para não dizer impossível) de se captar em sua arquitetura.


Vejo a "linha do tempo" em seu site me sentindo um pequeno arquiteto, enquanto lembro de algumas de suas palavras diante das dimensões dos cosmos, Niemeyer comenta que a arquitetura deve ser simples, pois o ser humano deve ser mais simples e mais humilde... tranquilo com a vida.



Stuck in a moment!

10 de abril de 2011, Estádio do Morumbi, São Paulo/SP, BRASIL!!!


Bilhões de tentativas depois, eu não faço nem ideia de como isso aconteceu e de todo esforço da minha namorada e dos meus amigos, mas... finalmente:


"Temos ingressos para o U2 360°!"


Sensacional!


Ainda estou embalado pela excelente oficina de criatividade da semana passada, e
conversando com os alunos durante as avaliações das técnicas, lembrei de como a criatividade para mim, espero também que para eles, já foi um mito.


Mito por parecer algo distante ao ponto de às vezes me sentir mais criativo e outras vezes menos, mas especialmente no sentido de não ter o que fazer nos momentos de "baixa criatividade"... empacado! - Stuck In A Moment, como diz o título de uma conhecida música do U2. (YES! Tenho ingressos!)


Ingressei no estudo da criatividade por perceber que há muito para ser trabalhado nas mais variadas áreas, com todo tipo de pessoa, para que seja possível dominar ou domar tanto os momentos de intensa criação na direção certa, como também saber como erguer-se nos momentos "stuck in a moment" (ingressos! show!! U2!!!).


Enfim... acho que eu queria falar mais de ingressos do que de criatividade hoje!
rs

Choveu...! ! !

Foi muito legal!
Foi revigorante!


Foi um "Derrame de Alucinações"! 
... é isso mesmo! Tudo com exclamação... e as minhas tradicionais reticências.


No primeiro dia de oficina fizemos uma tempestade de ideias para tentar encontrar um novo nome para a "Chuva de Ideias" que tinha preparado para os alunos de arquitetura da UNIUV. Eles deveriam partir de duas palavras separadamente (cérebro (brain) e tempestade (storm)) para chegar nesse novo nome.


No entanto, eu fiquei com "derrame" na cabeça (e alucinado)... rs.
Palavras que surgiram nos grupos.


Quando nos surpreendemos com algo, às vezes fica a impressão de que o que estamos vendo ou presenciando não é real. Essa oficina foi, por isso, como uma alucinação... e foi um derrame. Muita ideia legal, muita coisa surpreendente, um super rendimento do grupo, entrosamento e criatividade fluindo... derramando... saindo pelo ladrão.
Alucinante!


Grupo muito legal de trabalhar!






Parabéns Débora, Luana P., Ana Paula, Cristiano, Fabiana, Adriane, Ederson, Geraldo, Catarina, Marianne, Luana, Fernanda, Dienefer, Edson, Evelyn, Jaqueline, Bruna, Agnes, e Hedwiges!


Vocês foram show de bola!

... foi dada a largada! Oficina de Criatividade em União da Vitória.



“Imagine ser capaz de fazer um projeto tão criativo
que simplesmente conquiste qualquer tipo de pessoa. 
E que tal solucionar grandes problemas projetuais
em poucos segundos? 
E se você jamais ficar novamente sem ideias?

Se eu dissesse que você será um gênio criativo
depois deste workshop, 
eu estaria enganando você.

Mas eu gostaria muito de levar diversas técnicas de criação
que são conhecidas no mundo da publicidade, design
e outras áreas e muitas vezes esquecidas entre arquitetos. 
Além disso quero tentar ajudar você a acessar 
o lado direito do seu cérebro no processo criativo. 
Minha intenção, mais do que prometer o impossível, 
é injetar guaraná direto na veia com diversas ferramentas de criação, 
e tentar ajudar você a descobrir quais destas 
podem ser mais eficazes no seu dia-a-dia.

Não é dança da chuva. 
Não é milagre. 
É conhecimento, trabalho, dedicação e transpiração.”



Esse foi o texto que escrevi para falar dessa oficina de criatividade.


Hoje é um dia de preparação, um pouco de nervosismo, de inquietação enquanto não chega a hora de encarar os oficineiros e dar os primeiros passos. E... engraçado... nada disso é negativo: nervosismo tipo frio na barriga de montanha russa, inquietação de que está naqueles dois segundos antes de começar um joguinho de futebol entre amigos.


OK... eu confesso! Tenho um pouco de dor no joelho mas ela não vai fazer a menor diferença hoje.

Oficina de criatividade



"como se formam as chuvas?
muita umidade acumulada.
finalmente caem as primeiras gotas.
como se formam boas ideias?
conhecimento acumulado.
alguma hora precisa chover."






No próximo domingo estou saindo para União da Vitória e quero levar a chuva comigo.

Mas a chuva que eu estou falando é apenas aquela que entrou no meu escritório: uma chuva de ideias.

Esse é o conceito da oficina que estou finalizando para os alunos de Arquitetura da UNIUV na semana que vem (6, 7 e 8 de dezembro). A oficina acontece das 19 as 22h; espero então que os dias sejam de um bom sol... e que chova somente à noite.


A Arquitetura e a felicidade

Eu, meu irmão e amiguinhos em uma "folhia" danada

Na minha infância, pelo menos duas vezes por mês, meus pais, eu e meu irmão limpávamos os pátio. Era aquela faxina geral: cortar a grama quando necessário, ajeitar os canteiros, varrer e limpar as folhas da área.


É claro que a gente sempre fazia um pouco de manha, reclamava um pouco demais às vezes... fazíamos corpo mole... eu então, nunca gostei de varrer as folhas. Naquela época, em parte, tinha o lado da preguiça falando alto, mas, não sei se por causa de uma visão influenciada pelo desenho artístico, eu sempre achei bonito o pátio com folhas secas espalhadas e pequenas flores surgindo nos cantos da calçada.


"Inço" - dizia o meu pai.
"Sujeira" - minha mãe chamava assim as folhas pelo pátio. Afinal, difícil evitar levar algumas no sapato para dentro de casa.


Para quem quer entender um pouco mais sobre como ver beleza na "sujeira" do pátio, e quer compreender uma forma relativamente comum de olhar para o mundo entre alguns arquitetos, eu recomendo considerar a leitura do filósofo e escritor do cotidiano, Alain De Botton, em especial, o livro "A Arquitetura da Felicidade".


O autor destaca justamente a beleza das coisas aparentemente irrelevantes, onde é possível perceber como o bem-estar e a felicidade tem tudo a ver com a beleza na arquitetura, e vice-versa.

Vivendo em uma usina elétrica

Estava lendo uma entrevista com Charles Kibert semana passada para a revista EXAME em que ele fala do conceito de edificações energia zero (ZEB - Zero Energy Building), onde cada edificação estaria preparada para produzir a energia que consome ou até mais, ao ponto de vender o excedente.


As edificações (residenciais ou comerciais) passariam a ser também usinas produtoras de energia.


Na Califórnia, por exemplo, até 2020 todos as edificações residenciais devem ser consumo zero.


Estou comentando sobre essa entrevista pois passei ontem na frente do exemplo desse conceito mais próximo de mim, o Neo Next Generation, na praia do Campeche. Ainda em construção, serão 24 apartamentos onde o que mais chama a atenção é o uso de turbinas eólicas com um design muito interessante.


Imagem retirada do site www.nextgeneration.com.br

Acidentes aéreos, fábrica de móveis, criatividade

"(...) o co-piloto e o engenheiro de vôo tentaram avisar insistentemente, mas novamente de forma absurdamente polida, devido ao alto grau de IDP da Coréia, que o piloto estava errado e não havia pista alguma em frente, e que ele estava sim indo em direção a uma montanha. O piloto, por não entender que estavam dizendo que ele estava errado (e creia, nem eu entendi que eles estavam falando isso depois de ler a transcrição da caixa-preta, tamanha era o cuidado que eles tinham para não contrariar o piloto), seguiu o curso normal, que fez com que o avião se chocasse no monte Nimitz, matando 228 das 254 pessoas a bordo." (Tribo do Mouse)


Vi uma entrevista do Malcom Gladwell na GloboNews sobre seu último livro e me deparei com uma pesquisa muito interessante de um psicólogo holandês, Geert Hofstede que tem se dedica, entre outras coisas, a medir as relações de poder. Essa "medição" gerou o IDP
(Índice de Distanciamento do Poder).


O IDP brasileiro, que beira  os 70 pontos (um dos mais altos no mundo), indicaria, segundo Gladwell, os nossos altos índices de acidentes de avião. Pois ele evidencia, por exemplo, a dificuldade de comunicação entre piloto e co-piloto na cabine, onde aquele que é superior hierarquicamente pode interpretar as palavras de seu subalterno de forma pessoal.


Não consigo tirar esse IDP da cabeça... e as implicações dessa medição ou mesmo o que o índice confirma. 


Tenho observado já faz tempo, de forma muito empírica, e comentado com amigos, que o brasileiro de uma forma bem generalística tem uma dificuldade muito grande de trabalhar em grupo. Temos dificuldade de dividir ideias, dividir pensamentos, criticar posicionamentos do outro e ouvir críticas sem ferir ou nos sentirmos feridos pessoalmente.


O IDP brasileiro, em parte, pode ajudar a entender esse quadro e, ao mesmo tempo, indicar caminhos e soluções que incentivem uma maior troca de conhecimento entre as hierarquias.


Um bom exemplo dessa solução eu ouvi por ocasião de uma palestra sobre criatividade em que ouvi uma postura adotada em uma fábrica de móveis: os funcionários recebiam prêmios ao apontar o maior erro do mês, ou algo assim. Isso passou a incentivar uma comunicação mais aberta com os superiores, apontando problemas na produção ou em alguma etapa.


Ando pensando muito também sobre a relação do IDP na relação arquiteto-cliente, nas questões que englobam a criatividade e o ensino de arquitetura (o ensino em geral também), e até mesmo como isso se relaciona com as relações que tenho com meus vizinhos e com pessoas que trabalham comigo ou para mim.


IDP zero, já!

Casa Cor 2011 - Florianópolis

Algumas pessoas me perguntaram sobre quando será a próxima edição da Casa Cor aqui em Florianópolis, e ao que tudo indica, tem tudo para ser muito interessante já que conceitos como sustentabilidade e acessibilidade farão parte do corpo da mostra, como também a tecnologia - presente de forma mais óbvia nas edições anteriores.

A edição de 2011 está prevista para abrir as portas dia 19 de março, inaugurando também o calendário da mostra na América Latina. O que me chamou a atenção ainda, é que entre as seis segmentações dos espaços (jardins, uso coletivo, lofts, AP da família, do pai solteiro e do jornalista), a escolha do local proporcionou a maior área externa do evento com mais de 700m². Até procurei no Google maps o local.

Um outro espaço que promete ser interessante é a Brinquedoteca que vai explorar os cinco sentidos da criançada. São quarenta metros quadrados, com cadastro de impressão digital dos pais para que estes deixem com tranquilidade os filhos e possam curtir o restante da mostra sem preocupações.


De 19 de março a 1° de maio de 2011.
em frente ao Cemitério da Paz.

Café com cimento

Comentei na semana passada que visitaria em Curitiba uma mostra de arquitetura de interiores. A "Morar Mais por menos" merece destaque na média geral dos ambientes. E para quem teve dificuldade de observar o "por menos" pode ficar uma sensação esquisita de que passou por um engôdo. 

Mas as coisas não são necessariamente assim. Para começar, imagino que seja um conceito que deverá ser conquistado aos poucos. Além disso, muitos objetos caros podem funcionar mais como referencial de conceito.

De qualquer forma, ressaltando alguns dos outros valores da mostra, por exemplo, achei legal o ambiente do arquiteto Vinícius Trevisan: o ambiente Estar da Lareira.

















Os painéis de madeira (à direita na foto) foram confeccionados na APAE - um destaque na atitude de inclusão social nesse ambiente. Resíduos de obra foram utilizados também como piso. E entre outros conceitos de sustentabilidade, destaco o painel luminotécnico e com vegetação ao fundo que são blocos de concreto revestidos com filtros usados de café. Ficou muito legal! E tudo a ver com a Morar Mais.


Uma escada que muda comportamentos

Eu sei muito bem que usar a escada é mais saudável do que a escada rolante. Mesmo sabendo disso, quase sempre a preguiça bate e o conforto da escada rolante é mais convidativo.

Como mudar esse comportamento?
A "Fun Theory" visa mudar hábitos tornando mais divertido o novo comportamento.

Entre os projetos premiados em 2009, destaco abaixo dois que realmente mudaram comportamentos oferecendo apenas diversão em troca, ao contrário de outros dois que além de diversão oferecem também algum retorno financeiro - o que na minha opinião vai contra o princípio do projeto, ainda que vise incentivar hábitos importantes como respeitar o limite de velocidade nas ruas e reciclar garrafas.

"Escada piano"


"A mais profunda lata de lixo"


Valeu Christian pela dica!

Passeio Mais

Em pleno feriado (Proclamação da República), sol e chuva na estrada na volta de Curitiba, depois de um engarrafamento que nos deixou uma hora e quarenta minutos parados (completamente parados) no Paraná, ainda segue aquela sensação de estar lá... tudo muito vivo na memória, os amigos, os pontos turísticos, os passeios, a quantidade de comida ("culpa" do Velho Madalosso), e a mostra Morar Mais que visitamos em um dia de sol sensacional.

Aguardem que vem aí alguns posts sobre os ambientes que visitamos.

"Morar Mais por Menos"

Hoje é dia de arrumar as malas por aqui com destino à Curitiba. Estamos indo visitar a edição paranaense da mostra Morar Mais por menos que trabalha com o conceitos de sustentabilidade, inclusão social, brasilidade, tecnologia e inovação, e vendas. Tudo isso sem esquecer o custo-benefício! Essa mostra vem ao encontro de algo que eu busco fazer por aqui: desmistificar a arquitetura como coisa de quem tem dinheiro; e buscar formas diversificadas na tecnologia da construção e de materiais buscando tornar mais acessível a arquitetura.

Então aguardem que na semana que vem farei postagens especiais sobre a mostra, com fotos exclusivas já que levarei minha própria fotógrafa-preferida para cobrir o evento comigo.  




"A Mostra Morar Mais por menos “O chique que cabe no bolso” já se consolidou com o conceito que mescla ambientes acessíveis e muita sofisticação. O principal desafio dos profissionais que fazem parte da exposição é apresentar propostas que possam inspirar os visitantes a fazerem boas escolhas, sempre aliando estilo ao melhor custo-benefício. O evento acontece em Curitiba, de 27 de outubro a 28 de novembro, e traz novamente a preocupação com o meio ambiente e o estímulo a inovações tecnológicas construtivas e também no design de interiores. Para os licenciados da mostra, os arquitetos Francisca Cury e Léo Pletz, este ano a ideia é mostrar ainda mais possibilidades de ambientes reais que sejam totalmente aplicáveis na casa dos visitantes. “Queremos mostrar que os profissionais curitibanos estão atentos às demandas do mercado. Assim, quem passar pela Morar Mais por menos não vai apenas ter mais um ‘sonho de consumo’ distante de ser concretizado, mas a possibilidade real de ter seu desejo realizado dentro da sua possibilidade financeira”, destacam."




Quem sabe em breve veremos uma mostra dessas aqui em Florianópolis.



"C" de crescer e de criatividade

Uma mudança cada vez mais evidente no quadro de consumo brasileiro: a emergente nova classe média, a chamada Classe C. Ela representa sozinha cerca de 46% do poder de consumo e com a expansão dos financiamentos e programas do Governo Federal (Minha Casa, Minha Vida - mais propaganda e financiamento do que um programa de verdade), segundo o IBOPE (Pense Imóveis, 6 de Novembro), 37% desses pretendem adquirir imóvel nos próximos meses.


"Os novos mutuários são exigentes e não se contentam em realizar o famoso sonho da casa própria. Querem qualidade e, principalmente, o conforto." - portal GNews.


Em uma recente palestra sobre criatividade comentei com os alunos sobre como é preciso usar nossa capacidade criativa para adaptar idéias, explorar novos conceitos e incorporar o trabalho do arquiteto em conceitos como do "Morar Mais por Menos", em uma relação mais direta com essa força de consumo crescente.


Mais do que isso, quem hoje em dia não gosta deste conceito de morar bem e economizar?

24 cabe em 30?

Recebi do meu irmão faz um tempo o vídeo de um projeto premiado e muito interessante do arquiteto Gary Chang, do EDGE Desing Institute LTD: muito vidro, aço escovado, estantes móveis, 400.000 reais e bastante criatividade (trabalho pensante) resultaram em 24 ambientes dentro de 30m².



Quem quiser ver algumas fotos, pode encontrar mais algumas no site do EDGE.

"Os 4 Ps do Design"




Prometi que retomaria a importância de se conhecer a não linearidade do pensamento para as mais variadas abordagens criativas de projeto.



Conforme comentei no post anterior (Debate Aleatorial), minha namorada diz que eu sou um ser aleatório. De um assunto que está na roda pulo para outros com uma aparente desconexão. Em meio a situações diversas, partindo de palavras ou frases que acabo de ouvir, minha mente me leva para outros mundos, lugares, e idéias que invariavelmente eu acabo expressando, para vergonha de alguns, em voz alta.

Mas observe uma roda corriqueira de conversa: não acontece invariavelmente de assuntos puxarem outros sem muita conexão?

Isso se dá por causa da aleatoriedade da mente, a não linearidade do cérebro.

Então surge a pergunta: como aplicar esse conhecimento aos chamados "métodos de projeto", já que todos, ou a imensa maioria, são lineares?

Talvez uma das primeiras providências, de forma bem empírica, seja não se fazer prender tanto à métodos. Em geral, a própria palavra "método" já nos remete a uma idéia linear, uma sequência de passos. Talvez fugir de alguns deles, os mais  "quadrados" seja um bom começo.

Um segundo ponto é buscar abordagens mais "livres" ou circulares em que podemos ao menos revisitar alguns pontos. Entretanto, mesmo muitas dessas abordagens ainda podem ser ou parecer um pouco presas.


Sugiro então conhecer um pouco mais a metodologia não linear de projeto e as idéias complementares propostas por Luiz Salomão Ribas Gomez (professor meu no mestrado) em “Os 4 Ps do Design”. Quem sabe partindo daqui seja possível desenvolver melhor a sua própria abordagem.



Rahel Lehenbauer

Debate aleatorial!



Meu pai é chefe de gabinete do Deputado Estadual Paulo Borges.


Depois de suar a camisa, bater perna pela cidade com placas do deputado, bater alguns carros (?), atropelas alguns motoboys, e quebrar alguns copos em Porto Alegre durante o período de campanha, meu pai chegou ontem para descansar e quebrar alguns copos aqui em Floripa.


Eu sempre ouvi na minha família que "puxei" de minha vó materna o "dom de desenhar" - hoje perdido em algum lugar dentro de mim e ainda não encontrado (mas ando procurando). Também já ouvi que aprendi com a "bisa" a contar histórias... inventar mesmo, improvisar; enfim, ela chamava de "pascoinha" o coelho da páscoa. Herdei o bom humor de um, as piadas de outro... sou uma colcha de retalhos genética e socio-cultural.


Mas nada poderia ser mais radicalmente igual do que eu e meu pai debatendo.


Houve época em que meu pai colocava um chapéu de cowboy fajuto, e cada um de nós usava um lençol velho como capa de super-herói, e lutávamos. Meu pai segurava eu e meu irmão, um em cada braço por um tempo, não tínhamos como vencer o gigante. Mas alguma hora ele cansava... e nós também.


Hoje somos incansáveis e mesmo incontroláveis muitas vezes em nossas discussões sobre os mais variados assuntos, até mesmo os que desconhecemos (fingindo conhecer profundamente); além de sermos aleatórios.


Nosso debate é "aleatorial"...
... ao infinito, e avante!


Nada difícil de observar: minha namorada diz que sou um ser aleatório.
Na verdade ela também é assim. Todos somos.


O pensamento (humano, precisa dizer?) é não linear. E saber disso pode ajudar muito quando estamos desenvolvendo algo novo, projetando, criando. Como?


Eu prometo que volto a abordar melhor esse assunto. 
Por hora, vou curtir minha visita.


Rahel Lehenbauer

Arquitetura de coração!

Nunca me esqueci de um conceito que ouvi em uma palestra na ULBRA/RS enquanto ainda era estudante no curso de Arquitetura e Urbanismo. A arquiteta Arlene Lubianca comentou que seu trabalho (arquitetura de interiores) não é decoração. E complementou essa idéia da seguinte forma, certamente não com essas palavras:


Arquitetura de Interiores envolve conhecimento técnico, que nós arquitetos estudamos, aprendemos, e aplicamos ao construir o conceito de um espaço e projetá-lo. Isso significa conhecer não apenas a legislação que orienta ou impõe limites, mas também a psicodinâmica das formas e das cores, luminotécnica, conhecer os materiais e as mais variadas tecnologias aplicáveis ao conceito, enfim, tudo que envolve um trabalho profissional.


Já a decoração, disse a arquiteta, se não me falha a memória, é algo que cada pessoa deve fazer como forma de apropriar-se do espaço, ou seja, é feita "de coração". Não que a arquitetura de interiores, para quem é apaixonado pelo que faz, não seja feita de coração também. Mas nesse caso a decoração do ambiente pode e quem sabe deve nascer do coração da pessoa que vai ocupar o espaço e viver nele.


Enfim, esse é um conceito que levo ainda hoje para meus clientes - inspiração de Arlene Lubianca.




Rahel Lehenbauer

29ª Bienal de São Paulo



Não vi as polêmicas da Bienal... passei por lá e não vi a obra mais controversa.
Justamente eu que gosto de não gostar da política, que me desinteresso interessadamente pelo que os nossos eleitos andam fazendo, falando, e não vendo...


... queria ter visto a grande crítica do Gil Vicente.


Naveguei pouco naquele copo de mar...
... mas vi o Inferninho, de Luiz Zerbini.


Ele quase direciona as pessoas para se posicionarem dentro dos círculos de luz e moverem-se quando estes se movem. Como experiência social e comportamental, muito interessante. Como mensagem, cada pessoa tira alguma coisa... eu pensei: individualismo e interações onde os individualismos se cruzam. Mas só entende quem viu e participou da peça, afinal, descrever o Inferninho não o torna interessante.




Me chamou muito a atenção também o projeto expográfico da arquiteta Marta Bogéa, que conduz o visitante de forma não lienar pela exposição (coisa de arquiteto observar isso?). Além disso, os espaços de apresentação criados por artistas plásticos e outros arquitetos ficaram muito interessantes também.


Enfim, do pouco que vi, foi um copo suficientemente grande para viajar.


Rahel Lehenbauer

Onde nascem as boas ideias?

Eu sou fã de garimpar vídeos de palestras... 


Recentemente, enquanto pesquisava sobre criatividade para uma palestra na Semana Acadêmica de Arquitetura da UNIUV, encontrei esse vídeo sensacional sobre de onde vêm as boas idéias, do Steven Johnson (TED - Tecnologia, Entretenimento, Design). A pesquisa dele é uma viagem aos cafés londrinos, onde muitas idéias iluministas nasceram. 


Quando você tiver tempo, essa é uma daquelas que vale a pena dar uma olhadinha:





Rahel Lehenbauer

Bauhaus: onde se ensina o que não pode ser ensinado?



Será mesmo que é possível ensinar a arte?


No primeiro "Manifesto da Bauhaus", Walter Gropius escreve "ser a arte coisa que não se ensina". Platão achava que a critiatividade era uma loucura, "coisa do divino".


Que sentido tem as escolas de arquitetura, artes plásticas, design, entre outras que giram em torno de fazer arte, se a arte é algo que não pode ser ensinada?


Desde que comecei a estudar o ensino da arquitetura (Projetando Arquitetos), as questões relacionadas com a criatividade, e assuntos afins, me deparo com essas duas ideias aparentemente conflitantes: como pode Gropius fundar um escola para o "saber fazer" em que parte do saber, aquela que toca a arte, é considerada algo que não pode ser ensinada?


Durante meu mestrado na UFSC, estudei com uma abordagem acadêmica a criatividade, onde desmistificamos muitas ideias e conceitos sobre o tema. A arte, aquela que Gorpius afirma que não se pode ensinar, tem uma ligação muito estreita com a criatividade, e talvez, de certa forma ele tenha razão: pode ser complicado ensinar a arte como objeto, afinal, trata-se do produto de uma ou várias mentes criativas.


Mas é possível ensinar e prover o artista de ferramentas para a criatividade, tanto individual como coletiva. Gropius claramente reconhece isso quando afirma que "a fonte de criação artística" encontra-se no "sabe fazer".


Saber fazer a criatividade florecer, saber usar técnicas de criatividade, saber vencer bloqueios que atrapalham a criação, são ferramentas indispensáveis para o artista. E todas podem ser ser ensinadas...  embora muitas  vezes o produto final delas ainda pareça "coisa do divino".


Rahel Lehenbauer





A criatividade e o medo de errar!





Eu sou um ser que normalmente "viaja" no mundo da mente (ou seria mundo demente?) com a maior facilidade. Durante muito achei que jogando xadrez iria melhorar minha concentração. Besteira! Nunca deu certo isso...


Entrei em "altos devaneios" mentais por conta daquele tema levantado pelo Sir Ken Robinson no TED, "as escolas acabam com a criatividade", onde ele argumenta que a idéia radical de certo e errado, tão presente no sistema de ensino, pode muitas vezes tolher a criança de buscar novas explicações ou simplesmente de tentar algo novo para ela. 

Crianças não nascem com medo de errar, elas são ensinadas a ter medo de errar. E esse modelo, muitas vezes, se repete nas faculdades também.

Se toda criança nasce um artista, como foi colocado por Picasso - lembra o Sir Robinson, então as escolas andam matando esse artista. Vi há pouco tempo em minha igreja um bom exemplo de como o erro de escala não é nenhum problema no mundo infantil:


As crianças estavam brincando de casinha com as coisas absurdamente desproporcionais: uma boneca em tamanho natural como um bebê, um fogão de 50cm de altura, uma Barbie na mão (que certamente poderia deitar no forno), uma chaleira da cozinha da comunidade em tamanho "real" para fazer o chá que será servido em xícaras minúsculas para um urso gigante (que certamente precisaria ser servido centenas de vezes). 

Nada isso era um problema, não havia qualquer concepção de certo e errado na mente daquelas crianças. 

Fiquei então imaginando, como arquiteto, apresentar uma maquete com prédios na 1:500, casas e ruas em outra escala (1:200), algumas Barbies circulando pelas ruas, e no canto o urso... gigante... esperando o chá... um grande absurdo!

Mas ainda apresento essa ideia em uma bienal como minha crítica pessoal ao medo de errar.




Rahel Lehenbauer